IBS e CBS: o que muda para as empresas?
A Reforma Tributária do consumo representa uma das maiores mudanças no sistema de impostos brasileiro das últimas décadas. Entre seus principais pontos está a criação do IBS e da CBS, dois novos tributos que alterarão a forma como empresas calculam impostos, utilizam créditos, emitem documentos fiscais e organizam seus processos financeiros.
O IBS, Imposto sobre Bens e Serviços, e a CBS, Contribuição sobre Bens e Serviços, formam o chamado IVA Dual brasileiro. Embora possuam administrações diferentes, os dois tributos seguem princípios semelhantes e foram estruturados para substituir gradualmente impostos atualmente cobrados pela União, pelos estados e pelos municípios.
A mudança não se limita à troca de nomes ou guias. Ela pode afetar contratos, formação de preços, margem de lucro, fluxo de caixa, relacionamento com fornecedores, sistemas de gestão e emissão de notas fiscais.
Por isso, empresas de todos os portes precisam acompanhar a transição e analisar os impactos conforme seu segmento, regime tributário, localização, fornecedores, clientes e modelo de operação.
Neste artigo, você entenderá o que são IBS e CBS, quando começam a valer, quais impostos serão substituídos e quais providências podem ajudar sua empresa a atravessar a transição com mais segurança.
Este conteúdo possui caráter informativo e apresenta regras gerais da Reforma Tributária. A aplicação prática pode variar conforme a atividade, o regime tributário e as operações de cada empresa. Uma análise individual deve ser realizada antes de qualquer decisão fiscal, financeira ou contratual.
1. O que são IBS e CBS?
O IBS e a CBS são tributos sobre o consumo instituídos dentro do novo modelo da Reforma Tributária brasileira.
A proposta é aproximar o país de um sistema de Imposto sobre Valor Adicionado, conhecido como IVA. Nesse modelo, a tributação ocorre ao longo da cadeia econômica, com mecanismos de crédito para evitar que o imposto se acumule repetidamente em cada etapa.
O Brasil adotou um modelo chamado IVA Dual porque haverá dois tributos principais:
O que é a CBS?
A CBS é a Contribuição sobre Bens e Serviços. Trata-se de um tributo federal, administrado pela União. Ela substituirá gradualmente as contribuições federais que atualmente incidem sobre o consumo, especialmente PIS e Cofins.
O que é o IBS?
O IBS é o Imposto sobre Bens e Serviços. Sua competência é compartilhada entre estados, Distrito Federal e municípios, com administração centralizada pelo Comitê Gestor do IBS. Ele substituirá gradualmente o ICMS estadual e o ISS municipal.
Resumo rápido
2. Qual é a diferença entre IBS e CBS?
Embora IBS e CBS tenham estruturas semelhantes, são tributos distintos e possuem administrações diferentes.
| Característica | CBS | IBS |
|---|---|---|
| Competência | Federal | Estados, Distrito Federal e municípios |
| Administração | Receita Federal | Comitê Gestor do IBS |
| Principais tributos substituídos | PIS e Cofins | ICMS e ISS |
| Início da cobrança efetiva | A partir de 2027, conforme o cronograma | Transição gradual, com ampliação entre 2029 e 2033 |
| Incidência | Bens, serviços e direitos | Bens, serviços e direitos |
| Modelo | Não cumulativo | Não cumulativo |
| Destino da arrecadação | União | Estados e municípios do destino da operação |
Na rotina da empresa, os dois tributos aparecerão de forma individualizada nos documentos fiscais e precisarão ser considerados nos sistemas, na apuração e na formação de preços.
3. Quais impostos serão substituídos pelo IBS e pela CBS?
A transição ocorrerá de forma gradual, e os tributos atuais não serão eliminados todos de uma vez.
A CBS substituirá principalmente:
- PIS
- Cofins
- PIS-Importação
- Cofins-Importação
O IBS substituirá:
- ICMS
- ISS
O IPI também sofrerá alterações no processo de transição, com manutenção de tratamento específico para produtos relacionados à Zona Franca de Manaus.
Durante alguns anos, empresas precisarão lidar simultaneamente com tributos antigos e novos. Essa convivência aumenta a necessidade de sistemas atualizados, conferências e planejamento.
4. O que muda na prática para as empresas?
A Reforma Tributária modifica diferentes pontos da operação empresarial.
Tributação no destino
No novo modelo, a arrecadação tende a acompanhar o local onde ocorre o consumo, e não somente o local de origem do fornecedor. Isso é especialmente relevante para empresas que vendem ou prestam serviços para diferentes estados e municípios.
Comércios, indústrias, transportadoras, empresas de serviços e e-commerces precisarão conferir cuidadosamente o local de destino das operações.
Base mais ampla de incidência
IBS e CBS foram estruturados para alcançar operações com bens, serviços e direitos. A separação tradicional entre mercadorias e serviços perde parte da importância que possui no sistema atual, embora regimes específicos e tratamentos diferenciados continuem existindo.
Maior destaque nos documentos fiscais
Os documentos fiscais eletrônicos precisarão apresentar campos específicos para IBS e CBS. Isso exige atualização dos emissores, ERPs, sistemas comerciais, cadastros de produtos, serviços, clientes e fornecedores.
Mudança na formação de preços
As empresas precisarão analisar:
- Imposto incidente sobre a venda
- Créditos relacionados às aquisições
- Custo efetivo dos fornecedores
- Margem por produto ou serviço
- Impacto dos novos tributos no fluxo de caixa
- Condições negociadas nos contratos
- Diferenças entre clientes contribuintes e consumidores finais
Uma empresa não deve simplesmente somar uma nova alíquota ao preço atual. O cálculo precisa considerar créditos, custos, contrato, regime e cadeia econômica.
Revisão dos contratos
Contratos de fornecimento, prestação de serviços, locação, representação, distribuição e operações de longo prazo podem precisar de revisão. É importante verificar cláusulas relacionadas a:
- Preço líquido e preço bruto
- Responsabilidade pelos tributos
- Reajustes
- Retenções
- Repasse de aumentos ou reduções
- Mudança de legislação
- Faturamento por etapas
- Datas de pagamento
Alteração do fluxo financeiro
Com mecanismos como o split payment, parte do imposto poderá ser separada durante a liquidação financeira da operação. Isso pode modificar a forma como o valor das vendas entra no caixa da empresa e aumentar a importância do planejamento financeiro diário.
5. Como funcionará o aproveitamento de créditos de IBS e CBS?
A não cumulatividade é um dos pilares do novo modelo.
Em linhas gerais, o tributo incidente nas aquisições relacionadas à atividade empresarial poderá gerar créditos utilizados para reduzir o valor devido nas operações seguintes, observadas as condições estabelecidas pela legislação.
O objetivo é fazer com que o imposto recaia sobre o valor adicionado em cada etapa, reduzindo o efeito de tributação acumulada ao longo da cadeia.
Entretanto, o crédito não deve ser tratado como automático em qualquer situação. A empresa precisará analisar:
- Se a operação permite crédito
- Se o documento fiscal está correto
- Se IBS e CBS foram destacados adequadamente
- Se o fornecedor está regular
- Se houve extinção do débito da etapa anterior
- Se a aquisição está relacionada à atividade empresarial
- Se existe alguma vedação ou regime específico
Por que os fornecedores passam a ter mais importância?
A qualidade fiscal do fornecedor pode influenciar a possibilidade e o momento de utilização dos créditos. Por isso, o departamento de compras não deve analisar somente preço e prazo. Também será importante verificar documentação, enquadramento e regularidade das operações.
Exemplo simplificado
Uma indústria compra insumos utilizados na produção e recebe documentos fiscais com IBS e CBS corretamente destacados. Depois, vende o produto acabado com incidência dos novos tributos.
Os créditos relacionados às aquisições poderão ser utilizados para reduzir o valor devido na venda, conforme as regras aplicáveis. A análise, porém, deve considerar a natureza da operação, o documento fiscal, o pagamento do tributo anterior e eventuais restrições legais.
6. Qual é o cronograma do IBS e da CBS?
| Período | Principais pontos |
|---|---|
| 2026 — Ano de testes | Alíquotas de teste (CBS 0,9% / IBS 0,1%); adaptação dos documentos fiscais; testes de sistemas e processos; possível dispensa de recolhimento para quem cumprir as obrigações acessórias. |
| 2027 — Entrada efetiva da CBS | Início da cobrança efetiva da CBS; extinção de PIS e Cofins; início do Imposto Seletivo; alterações relacionadas ao IPI; IBS ainda em fase inicial. |
| 2028 — Continuidade da adaptação | Consolidação operacional da CBS; continuidade da preparação para o crescimento do IBS; acompanhamento dos sistemas, créditos e obrigações. |
| 2029 a 2032 — Transição ICMS/ISS → IBS | Aumento gradual da participação do IBS; redução progressiva de ICMS e ISS; coexistência dos modelos antigo e novo; necessidade de controles paralelos. |
| 2033 — Implantação integral | IBS passa a substituir integralmente ICMS e ISS; conclusão da transição principal do novo sistema de tributação do consumo. |
A alíquota de teste de 1% utilizada em 2026, formada por 0,9% de CBS e 0,1% de IBS, não representa a alíquota definitiva do novo sistema.
7. O que as empresas precisam fazer em 2026?
Mesmo sendo considerado um ano de testes, 2026 não deve ser tratado como um período sem consequências práticas. As empresas precisam verificar se seus sistemas e processos estão preparados para os novos campos e obrigações.
Atualizar emissores e sistemas
É necessário verificar a compatibilidade dos seguintes recursos:
- ERP
- Emissor de NF-e
- Emissor de NFC-e
- Sistema de NFS-e
- Sistema financeiro
- Plataforma de e-commerce
- Sistemas de estoque
- Integrações com marketplaces
- Cadastros fiscais
Revisar cadastros
Produtos, serviços, operações, clientes e fornecedores precisam ter informações completas e padronizadas. Cadastros incorretos podem causar falhas na emissão, no cálculo do imposto e no aproveitamento de créditos.
Testar documentos fiscais
As empresas devem realizar testes antes da obrigatoriedade técnica integral, evitando que erros sejam descobertos durante uma venda real.
Conforme as orientações oficiais de implementação, os documentos fiscais eletrônicos passaram a receber campos de IBS e CBS em 2026. O cronograma técnico pode variar conforme o documento e a nota técnica correspondente.
Para empresas enquadradas no regime regular, foi comunicada uma nova etapa obrigatória de preenchimento dos campos de IBS e CBS a partir de 3 de agosto de 2026.
Avaliar o Simples Nacional
Empresas do Simples Nacional também precisam analisar os efeitos da Reforma Tributária. Em 2026, empresas regulares do Simples poderão avaliar a possibilidade de manter IBS e CBS dentro da guia única ou optar, para o período seguinte, pelo recolhimento no regime regular.
Essa decisão não deve ser tomada de forma automática. É necessário comparar carga tributária, créditos, clientes, fornecedores e impacto comercial.
Treinar as equipes
A adaptação não depende somente do contador. Devem participar:
- Departamento fiscal
- Financeiro
- Compras
- Vendas
- Faturamento
- Estoque
- Jurídico
- Tecnologia
- Gestão
8. Como IBS e CBS podem afetar preços e margens?
O impacto não será igual para todas as empresas. Empresas com muitas aquisições que geram créditos podem apresentar uma situação diferente de negócios cuja maior despesa é a folha de pagamento. Por isso, a análise deve considerar toda a cadeia.
Custo dos fornecedores
O preço de compra precisa ser analisado junto com o crédito gerado pela operação. Um fornecedor aparentemente mais barato pode gerar menos créditos ou apresentar maior risco fiscal.
Despesas que não geram crédito
Determinadas despesas podem não produzir o mesmo efeito de creditamento esperado pela empresa. Isso precisa ser incluído no cálculo do custo e da margem.
Preço final
A formação de preços deve observar:
- Custo líquido após os créditos
- Tributação da venda
- Despesas operacionais
- Margem desejada
- Prazo de recebimento
- Tipo de cliente
- Destino da operação
- Regras específicas do segmento
Capital de giro
Mudanças no momento do recolhimento e no aproveitamento dos créditos podem afetar o caixa. Empresas com vendas parceladas, grandes volumes de compra ou prazos longos precisam realizar projeções financeiras.
9. Quais empresas podem sentir mais impacto com IBS e CBS?
Todas as empresas precisam acompanhar a transição, mas alguns modelos de negócio exigem atenção especial.
Prestadores de serviços
Empresas intensivas em mão de obra podem ter menos créditos relacionados às suas principais despesas. É necessário analisar folha, estrutura, preços, contratos e perfil dos clientes.
Comércios
O comércio precisará revisar tributação de produtos, estoques, compras, vendas interestaduais, fornecedores e margens.
Indústrias
As indústrias devem avaliar insumos, créditos, processos de produção, estoque, custos industriais e investimentos.
E-commerces
Lojas virtuais precisam acompanhar vendas para diferentes estados, marketplaces, emissão de notas, devoluções, fretes e integração dos sistemas.
Empresas do Simples Nacional
A empresa deverá comparar a permanência dos tributos dentro do Simples com a possibilidade de recolhimento pelo regime regular. O impacto também depende do tipo de cliente. Empresas que vendem para outras empresas podem enfrentar decisões diferentes daquelas que vendem diretamente ao consumidor final.
10. Como preparar sua empresa para IBS e CBS?
- Mapear as operaçõesLevante compras, vendas, serviços, devoluções, remessas, transferências, importações e demais operações da empresa.
- Revisar os cadastrosConfirme informações fiscais de produtos, serviços, clientes, fornecedores e unidades da empresa.
- Atualizar os sistemasVerifique se os sistemas estão preparados para os campos, cálculos e documentos do novo modelo.
- Simular os impactosCompare o cenário atual com projeções envolvendo IBS, CBS, créditos, custos e margens.
- Revisar contratosAnalise cláusulas tributárias, preços, reajustes, responsabilidades e prazos.
- Avaliar os fornecedoresVerifique o impacto dos fornecedores na geração e no aproveitamento dos créditos.
- Projetar o fluxo de caixaConsidere mudanças relacionadas ao pagamento dos tributos, créditos e split payment.
- Treinar as equipesGaranta que fiscal, financeiro, compras, vendas e tecnologia compreendam as novas rotinas.
- Criar um plano de transiçãoDefina responsáveis, prazos, prioridades e testes necessários.
- Acompanhar as regulamentaçõesNotas técnicas e regras operacionais continuarão sendo publicadas durante a implementação.
11. Erros que podem prejudicar a adaptação da empresa
Acreditar que nada muda em 2026
Mesmo com dispensa de recolhimento em determinadas situações, existem adaptações de documentos, sistemas e obrigações.
Usar a alíquota de teste como alíquota definitiva
O percentual de 1% utilizado em 2026 possui função de teste e não representa a carga final.
Atualizar somente o sistema fiscal
A Reforma Tributária afeta também contratos, preços, compras, vendas, estoque, caixa e gestão.
Considerar que todo gasto gerará crédito
A utilização dos créditos depende das regras, documentos e características da operação.
Ignorar fornecedores e clientes
A posição da empresa dentro da cadeia pode afetar preços, créditos e competitividade.
Alterar preços sem simulação
O preço não deve ser reajustado apenas pela soma de uma nova alíquota. É preciso avaliar créditos, custos e margens.
12. FAQ: Perguntas frequentes sobre IBS e CBS
O que significam as siglas IBS e CBS?
IBS significa Imposto sobre Bens e Serviços. CBS significa Contribuição sobre Bens e Serviços. Os dois tributos formam o IVA Dual criado pela Reforma Tributária do consumo.
Qual é a diferença entre IBS e CBS?
A CBS é um tributo federal administrado pela União. O IBS possui competência compartilhada entre estados, Distrito Federal e municípios e será administrado pelo Comitê Gestor do IBS.
Quais impostos o IBS e a CBS substituirão?
A CBS substituirá principalmente PIS e Cofins. O IBS substituirá gradualmente ICMS e ISS. O processo ocorrerá em etapas e será concluído, conforme o cronograma atual, em 2033.
As empresas já precisam pagar IBS e CBS em 2026?
2026 é considerado um ano de testes. Existem alíquotas de teste de 0,9% para a CBS e 0,1% para o IBS. Os contribuintes que cumprirem as obrigações acessórias previstas poderão ficar dispensados do recolhimento, conforme as regras aplicáveis.
A alíquota definitiva será de 1%?
Não. O percentual de 1% utilizado em 2026 é uma alíquota de teste e não representa a alíquota padrão definitiva do novo sistema.
Empresas do Simples Nacional serão afetadas?
Sim. O Simples Nacional continua existindo, mas as empresas precisarão analisar as regras de IBS e CBS, a geração de créditos e a possibilidade de recolhimento dentro ou fora da guia única, conforme as opções previstas.
Toda compra dará direito a crédito?
Não de forma automática. O crédito dependerá da natureza da operação, da documentação, da relação com a atividade da empresa, da extinção do débito anterior e das limitações previstas na legislação.
O que é split payment?
Split payment é um mecanismo pelo qual o valor correspondente aos tributos pode ser separado no momento da liquidação financeira da operação. Sua implantação seguirá os procedimentos e cronogramas definidos pelas autoridades responsáveis.
13. Sua empresa está preparada para IBS e CBS?
A Reforma Tributária não representa apenas uma substituição de impostos. Ela modifica processos, sistemas, contratos, preços, créditos e a forma como as empresas se relacionam com clientes e fornecedores.
As empresas que iniciarem a preparação com antecedência terão mais tempo para testar sistemas, corrigir cadastros, revisar contratos e simular os impactos financeiros.
Esperar a conclusão completa da transição pode aumentar riscos, retrabalho e dificuldades operacionais.
A MRC - Contabilidade acompanha as mudanças do IBS, da CBS e da Reforma Tributária para ajudar empresas a compreender os impactos e organizar sua adaptação.
Cada negócio precisa de uma análise própria, considerando atividade, regime tributário, faturamento, estrutura, fornecedores, clientes e operações realizadas.
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